Rede Sarah

28/02/2015

texto publicado na minha coluna do Segundo Caderno do Globo em 27/02/2015

O doutor Campos da Paz faleceu há pouco mais de um mês. Precisamos continuar a homenageá-lo. Para isso, nada melhor do que aprender com os ensinamentos de sua rica trajetória de vida. Sabemos que saúde pública é um dos principais problemas do Brasil. Nenhum programa nessa área deve ser inventado sem levar em consideração a história, as batalhas e as conquistas da Rede Sarah, criação muito original do doutor Campos. Falo de dentro, sem distanciamento: hoje sou conselheiro dessa instituição. É uma grande honra poder contribuir para seu trabalho, garantia de melhores condições de vida para muitos brasileiros, e que inspira outras experiências de medicina em vários outros países, tanto pobres como ricos. Para entender a razão para essa minha convicção vou tentar resumir o caminho bem pessoal que me aproximou, no pior momento de minha vida, da Rede Sarah e do doutor Campos.

Muitos leitores devem lembrar que há 14 anos meu irmão Herbert sofreu um grave acidente, no qual perdi minha cunhada Lucy. Naquele período de tristeza avassaladora, um conforto foi receber generosas ofertas de ajuda, tanto de amigos próximos quanto de desconhecidos. Havia a necessidade de fazer escolhas de tratamentos para dois tipos de lesão, a medular e a cerebral. As opções eram radicalmente díspares. Hoje consigo até rir quando penso no seguinte dilema quase político: houve convites para ir para Cuba e para Miami. Como tomar a decisão? Gosto de estudar: mergulhei em livros e em revistas médicas procurando a fronteira do conhecimento nessas áreas.

Ainda bem que as neurociências já estavam vivendo momento de popularização. Em capítulo de António Damásio encontrei a descrição de um problema que imaginei ter a ver com o que estava vivendo em casa. Nem pensei duas vezes: fiz uma busca na internet e consegui o endereço eletrônico de Damásio. Estava tão desesperado que mandei imediatamente email para ele, na cara de pau, explicando a situação. Para minha surpresa, logo recebi sua resposta, com indicação do nome de médico de Iowa que poderia me orientar melhor. Várias mensagens adiante, um conselho: não havia motivos para tratamento longo e/ou custoso fora do Brasil. Era importante para a melhora a permanência perto da família. O tal médico de Iowa terminava sua correspondência comigo indicando o nome de uma das maiores especialistas em reabilitação neuropsicológica do mundo: Lúcia Willadino Braga, hoje presidente da Rede Sarah.

Tomei coragem novamente e escrevi para a doutora Lúcia. Li tudo o que podia sobre a Rede Sarah. Outros pacientes me alertaram inclusive para me preparar para um eventual encontro com o doutor Campos. Ele seria duro, não tentaria nos seduzir com falsas promessas de cura. Acompanhei a internação do Herbert no Sarah Brasília. No andar onde ficam os pacientes com lesão cerebral convivi com sofrimentos que não imaginava suportáveis por nenhum ser humano, tudo agravado pela desigualdade social brasileira. Uma vizinha de leito tinha viajado, enfrentando dores extremas, de canoa e kombi, partindo de localidade remota da Amazônia. Era um panorama terrível do Brasil. Mas ao mesmo tempo estávamos ali reunidos em hospital público, recebendo um tratamento de excelência, que antes eu não tinha ideia que existia no país.

Quando escrevo tratamento de excelência, não estou pensando em luxo. Hoje, há uma tendência no serviço hospitalar privado que confunde qualidade com aparência de hotel cinco estrelas. As pessoas fingem não perceber como isso encarece de forma desnecessária os tratamentos. Na Rede Sarah tudo é digno, e de ponta, mas nada é ostentação. Muitas soluções, como prédios construídos para aproveitar luz e ventilação naturais, foram produtos da parceria criativa entre o doutor Campos e o arquiteto Lelé. Não entendo a razão para objetos inventados nas oficinas da Rede Sarah não sejam adotados em outras casas de saúde. Como aquelas camas, leves e de design lindo, bem diferentes daqueles monstrengos eletrônicos importados, que devem custar pequenas fortunas, além de consumir energia e manutenção difícil. (O pior é que vejo muita gente acreditando que hospital bom tem que ter esse tipo de cama cara. Até quando vamos ignorar ou desprezar as boas soluções criadas por aqui?)

Tive o privilégio de conviver com o doutor Campos nas reuniões do Conselho. Ele estava na cadeira de rodas, com aparelho de respiração. Mas falava animado dos livros que queria escrever. Sabia que agora tinha tempo, pois preparou equipe brilhante para continuar a missão da Rede Sarah. O tempo foi curto. Mas sei que um livro está pronto e que a qualidade do atendimento da Rede Sarah permanecerá como sua melhor lição.

Inquisição

21/02/2015

texto publicado na minha coluna do Segundo Caderno do Globo em 20/02/2015

Na coluna da semana passada escrevi uma única frase (incluindo parêntese tipicamente desajeitado) sobre o carnaval de Goa. Muito pouco para matar as saudades daquela beira de mar do Oceano Índico. Poucos lugares no mundo são tão belos. Parece Olinda, combinando o barroco com coqueiros. Mas tem também o colorido dos templos hindus. E as guirlandas enfeitando os cruzeiros que identificam as casas católicas. Há uma combinação cultural explosiva, luso-tropicalista-lisérgica, em todos os cantos. Não foi por acaso que os hippies escolheram Goa como um de seus destinos mochileiros favoritos. E depois que ali tenha surgido uma cena rave conhecida como “Goa trance”. A paisagem, tanto física quanto humana, sugere novos desenvolvimentos para tecnologias do êxtase, acústicas ou eletrônicas, naturais ou sintéticas.

Tudo sobre aquele lugar me interessa. Por isso não resisti quando vi exemplar de “A Inquisição de Goa” na prateleira de lançamentos de uma livraria. Terminei a leitura – incluindo vários anexos, estudo e notas – em poucas horas. Sim, Portugal levou o carnaval para suas colônias (e Goa era território português até 1961, quando foi invadida pelo exército indiano). Mas junto impôs também a Inquisição. Mudando a letra de “A novidade”, mas mantendo sua descrição profunda da tragédia humana: ó mundo tão desigual, de um lado esse carnaval, do outro o auto da fé, com os condenados – suas roupas pareciam fantasias macabras – sendo queimados em fogueiras, dor balançando o chão da praça, tendo multidões (incluindo a família real, quando acontecia no Terreiro do Paço em Lisboa) como testemunhas.

“A Inquisição de Goa” foi escrita pelo médico francês Charles Dellon. Sua primeira publicação fez sucesso em 1687. Em português teve apenas quatro edições em mais de três séculos, e só agora chega ao Brasil através do bom trabalho da Phoebus (aproveito para comemorar o aparecimento de muitas pequenas editoras por aqui, com lançamentos bem peculiares e corajosos). De certa forma fomos ingratos com Dellon este tempo todo, pois ele dedicou quatro dos 48 capítulos de sua obra para descrever a vida em Salvador, Bahia, cidade onde parou em sua volta da Índia rumo a Portugal, onde cumpriria cinco anos de trabalho forçado nas galeras de Lisboa.

A leitura certamente adquire maior densidade em tempos de intolerância religiosa. Já foi importante no século XVIII, influenciando a turma que inventou o Iluminismo, incentivando o combate pelo fim dos tempos inquisitoriais. Dellon descreve minuciosamente o processo bárbaro e absurdo ao qual foi submetido. Não houve tortura física (apesar de ter ouvido gritos em celas vizinhas). Seu suplício foi psicológico, executado com refinamento de sempre extrema crueldade, por meses a fio. Não importava que as prisões da Inquisição fossem mais limpas do que as pocilgas onde dormiu com prisioneiros comuns, ou que a comida (almoço às 6 horas, jantar às 10 e ceia às 16) tivesse qualidade razoável. O desespero era avassalador por ser exigida, com uma frequência aparentemente sem lógica, uma confissão de heresias que não foram cometidas, incluindo a delação de amigos e familiares que também não eram hereges. Quem não confessava seus “crimes” era queimado vivo. Resultado: uma eficiente máquina de vigilância permanente da vida privada de todas as pessoas, onde a mentira e a traição tornavam-se necessidades vitais.

Dellon narra suas duas tentativas de suicídio. Um dos capítulos mais impressionantes é aquele no qual conta sua tentativa de adestrar ratos para ter companhia. Ou suas suposições para os motivos da prisão: “as frequentes mais inocentes visitas que eu fazia a uma senhora” amada pelo governador de Damão e pelo notário do Santo Ofício da mesma cidade. Os motivos oficialmente, mas obscuramente, alegados foram suas opiniões sobre “os efeitos do batismo” ou a necessidade de cobrir crucifixos ao receber mulheres em seu quarto. Por isso, mas sem ninguém nunca ter lhe dado a explicação completa, passou anos preso e por pouco não foi para a fogueira.

O interesse da narrativa não vem apenas dos detalhes sobre o cotidiano da Inquisição, mas também da coleção de informações preciosas acerca do nascimento da nossa globalização laica. Dellon já exercia a medicina antes de completar 20 anos e com essa idade sai da França e vai trabalhar na Índia. Os relatos sobre as viagens oceânicas, sobre a vida nas cidades de vários continentes revelam um cosmopolitismo surpreendente. Na ida de Salvador para Lisboa: “a bordo portugueses, franceses, ingleses, holandeses, indianos, cafres e mais de trinta mulheres chinesas”. Na Bahia viu formigas, bichos do pé e libertinagem. Acho que ninguém falava ainda de carnaval.

carnavais

14/02/2015

texto publicado na minha coluna do Segundo Caderno do Globo em 13/02/2015

No início dos anos 1980, durante o carnaval, eu circulava sempre pela Rio Branco, para me misturar aos desfiles do Cacique de Ramos e do Bafo da Onça. Fausto Fawcett, na mesma década, cantava/ordenava a dissolução de egos na matéria em movimento. Não havia nem superego que resistisse ao movimento browniano daquela multidão que ocupava nossa avenida central. Em questão de segundos, todos seus quilômetros eram preenchidos por um único corpo pulsante misturando jaguares e índios arquetípicos. Anos depois, aquela coisa toda – como por um milagre – foi desaparecendo. Eu insistia em voltar para a Cinelândia, mas o ambiente era triste. Gatos pingados fantasiados não conseguiam produzir sensação de folia. Quem é muito jovem não acredita quando conto que houve anos em que o carnaval no Rio tinha clima de “Adeus, batucada”.

Hoje, novos blocos, cada vez mais gigantescos, reconquistaram as ruas, para surpresa geral. Não foi obra de política pública de “resgate” do carnaval popular de rua. Tudo aconteceu como um experimento de ciência do caos, fora das previsões das autoridades mais “antenadas”. Foi como rebelião do inconsciente carioca, que não se conformou com a obrigação de ter que viajar para Salvador ou Recife se quisesse brincar na rua durante os feriados carnavalescos. Seguimos o grito de guerra do Cacique: “vou festejar”. Aqui mesmo.

Bela lição para quem estuda ou promove a cultura: ainda bem que o mundo é imprevisível. Festa é vontade mutante. Ninguém sabe onde, quando e como vai aparecer ou desaparecer. (Talvez como tudo na vida, mas na festa essa característica geral é mais evidente.) Nenhum MBA vai enquadrá-la em modelo de negócio estável. É possível apenas aproveitar o embalo, eterno enquanto dura.

Sonho com uma rede global de carnavais, uma organização das nações unidas da folia. Seria a atualização Século XXI de um efeito colateral da imposição do catolicismo por colonizadores lusitanos. Pensei nisso quando passei um carnaval em Goa, na Índia (uma das músicas que faz mais sucesso no seu desfile ainda é “Mamãe eu quero”). Tive contato também com manifestações carnavalescas em Malaca, na Malásia (era uma espécie de entrudo, com o povo que fala cristão – ou kristang, ou papiá kristang, idioma crioulo descendente do português com estrutura gramatical do malaio – fazendo batalha de baldes d’água na rua), e na Guiné Bissau (o maior carnaval africano – ver algumas imagens no episódio do Navegador, programa da GloboNews, na próxima segunda-feira). Todos: locais em que Portugal deixou suas marcas malucas. Tanto em Goa, quanto em Bissau há um fenômeno curioso: indianos fantasiados de indianos, africanos fantasiados de africanos, como se a festa fosse a única ocasião em que podem ser quem “verdadeiramente” são (e então percebemos que tudo é mesmo fantasia e que “verdade é uma ilusão”, ou ao contrário, dependendo do contexto).

Claro que seria justo ter o português como língua oficial da ONU foliã. Mas não poderia ser o único. Há carnavais em Veneza, na Alemanha. E há o carnaval de Trinidad e Tobago, com seu filho, no meio de cada ano, em Notting Hill, Londres, Inglaterra. É a maior folia do Caribe, a grande festa do calypso, hoje soca (corruptela de soul-calypso, filha da união do calypso com o funk). Essa apropriação do pop dos EUA revigorou a tradição festiva de Trinidad e Tobago, que cresce a cada ano e se mantém única, “tipicamente” local. Assim como o reggae foi incorporado ao carnaval de Salvador transformando-se em samba-reggae, que é baiano demais. Sempre escrevo: identidade nunca pode ser pensada como algo estático, acabado. Ou frágil, a ponto de qualquer ameaça externa, ou mudança mais decisiva, condená-la à extinção. Os carnavais são laboratórios que testam e expandem os limites das tradições. Como se identidade fosse uma grande brincadeira (e não é?). Como se o mundo fosse terminar na quarta-feira.

Quando a soca se tornou muito popular, pensei que steel bands – orquestras com aquelas panelas de aço, deliciosa invenção de Trinidad e Tobago – poderiam desaparecer. Mas elas continuam lá, criativas e magníficas. Essa constatação não quer dizer que boas tradições não correm riscos de extinção. Afirmo apenas que a dinâmica é incontrolável. A melhor política de preservação não é garantia de eternidade. Eterno Deus Mu-dança.

Os instrumentos das steel bands foram novidade um dia (assim como os surdos das escolas de samba), mais recente do que parece. Quem pode saber se no próximo século um dos melhores carnavais do planeta não acontecerá na Suiça e na Áustria, com bandas de hang, o novíssimo instrumento de percussão (criado depois de 2000) tocado com maestria pelo percussionista dos shows da Bjork, Manu Delago?

Aceleracionismo 2

09/02/2015

Acelera Deus convite frenteAcelera Deus convite verso

aceleracionismo

07/02/2015

texto publicado na minha coluna do Segundo Caderno do Globo em 06/02/2015

Leonard Cohen começa seu sublime “Popular problems” com a canção “Slow”. No contexto desta coluna, seu refrão poderia ser traduzido assim: “eu sempre gostei do slow, isso é o que minha mãe disse”. Há versos mais enfáticos: “você quer chegar lá rápido, eu quero chegar lá por último” ou “o ‘slow’ está no meu sangue”. Nem eu nem minha mãe teríamos tanta certeza. Sempre oscilei entre o slow e o fast. Talvez o fundamento da minha visão de mundo seja zen (apesar de nunca ter praticado meditação com a seriedade de um Leonard Cohen), mas é um zen que se encanta tanto com a brisa que leva a borboleta de ramo em ramo (Bashô) quanto com a edição do videoclipe mais veloz. Sempre tive simultaneamente e bem fundo, pois não sei dirigir, um pé no freio e outro no acelerador.

Igualmente: sempre gostei do natural e do artificial, em seus extremos mais comuns e mais bizarros. Aliás, sinto dificuldade em apontar o que exatamente não é natural no artificial. Não saberia também dizer o que me fascina mais: uma água viva ou um aparelhão de ressonância magnética? Não teria nada contra alimentos geneticamente modificados se houvesse controle público rigoroso em seus desenvolvimentos e se não fossem propriedades de empresas pouquíssimo transparentes em seus métodos de pesquisa e comercialização. Não penso que o natural seja para sempre necessariamente melhor do que as invenções de uma tecnologia responsável.

Considero muito bem-vindas as propostas dos defensores da “ciência slow”. Apesar de nossos problemas urgentes (clima, energia, água, fome e muito mais), nada justifica pressas e segredos desgovernados nos laboratórios, que podem desencadear catástrofes imprevisíveis. Porém, ao mesmo tempo, não consigo deixar de prestar atenção no que dizem os aceleracionistas, defensores do fast total. Claro que sei: são projetos inconciliáveis. Mas quem disse que dá para conciliar tudo na vida?

Aceleracionismo, nesse sentido, é termo tão recente que meu corretor ortográfico assinala erro a cada digitação. Mas já tem seu mito de origem: teria aparecido, em 1967, no livro “Senhor da luz”, de Roger Zelazny, ficando ali incubado na ficção científica até sua estreia de gala na teoria crítica via introdução de “A persistência do negativo” (agradeço a Ronaldo Lemos o presente capa dura), que o filósofo Benjamin Noys lançou em 2010. Sua viralização foi acelerada, principalmente com o impulso da Urbanomic, organização/site (editora da revista “Collapse”, já comentada aqui em texto sobre o “realismo especulativo”) que se tornou ponto de encontro para algumas das tendências mais interessantes do pensamento contemporâneo.

Duas leituras básicas para quem quiser se tornar aceleracionista. Em 2014, Benjamin Noys atacou novamente, desta vez com o livro “Velocidades malígnas”, lançado pela extraordinária editora Zer0 Books (contra o “estupor interpassivo”). No ano passado, a Urbanomic publicou “#accelerate#”, coletãnea de textos – de Marx a Patricia Reed, passando obviamente por Deleuze/Guattari, pelo “Acelerar: manifesto para uma política aceleracionista” (de 2013) e pela resposta de Antonio Negri ao manifesto – que traçam a genealogia do movimento. (Caso haja edição multimídia não poderá faltar o registro de “Acelera Deus”, instalação que Barrão e Luiz Zerbini, pré Chelpa Ferro, montaram no Palácio do Catete em 1992. Eu e Sérgio Mekler colaboramos com a trilha sonora. A inspiração era também a Fórmula 1, campeonato que – segundo alguns defensores do decrescimento – precisa ser extinto imediatamente.)

Estou aqui acelerado, próximo do final da coluna. Cito apenas o início da introdução de “#accelerate#” para acordar geral: “O aceleracionismo é uma heresia política: a insistência de que a única resposta política radical para o capitalismo não é protestar, produzir rupturas, ou criticar, nem esperar sua morte nas mãos de suas próprias contradições, mas sim acelerar suas tendências dezenraizadoras, alienantes, decodificadoras e abstrativas.”

Minha opinião: o texto mais curioso dessa coletânea é assinado por Ray Brassier, e combate as denúncias de totalitarismo em qualquer proposta para “refazer o mundo”, como se de agora em diante só fosse possível almejar a criação de “enclaves locais de igualdade e justiça”. (Alguns adeptos do slow são localistas extremistas.) Brassier lança a pergunta: “Devemos abandonar nossas ambições e aprender a ser modestos, como todo mundo parece estar ordenando que façamos?”

De Cohen a Caetano. Termino citando “Muito” (álbum com capa tão slow). “Eu nunca quis pouco”. De volta ao início, duas semanas atrás: para ter muito do bom/bem é preciso desacelerar radicalmente ou acelerar ainda mais? Como vamos decidir?

 


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