complementos Ilustríssima 6

13/02/2021

Links complementares para o texto de hoje:

Meio ano de coluna. Passa rápido. E não passa.

Sobre Melancolia.

A entrevista de Patti Smith. Traduzi “unrest” por desespero. Ela não queria dizer só “inquietação”.

Caetano Veloso vendo o Baiana System em ação no carnaval baiano. É o amor. Palmas. Caetano Veloso entrevista Russo Passapusso. Respeito.

O disco de dub do Baiana System. O show com Gil.

Mais sobre o Baiana System aqui mesmo neste blogue.

Meu artigo-manifesto em defesa de contatos diretos e descentralizados com o mundo todo.

O Navio Pirata. O clipe de “Reza forte”. O trailer de “Nauzila”.

Singeli: a introdução. Explorar o site do Nyege Nyege para descobrir muito mais.

Nem houve espaço para falar do Abbas Jazza, ministro não-oficial das comunicações do movimento singeli, também taxista em Dar es Salaam, medidador fundamental para a produção de “Nauzila”.

complementos Ilustríssima 5

16/01/2021

Links para complementar a leitura do texto da coluna de hoje:

O site da Lia Rodrigues Companhia de Danças.

Verbete sobre Silvia Soter na wikidança.

Vídeo de trabalho recente da Companhia Híbrida, de Renato Cruz.

Pequena entrevista com Cristina Moura.

Informações sobre a Escola Livre de Dança da Maré.

Informações sobre a campanha Maré diz NÃO ao Coronavírus.

Link para doar para a Redes da Maré.

complementos Ilustríssima 4

19/12/2020

Links para aprofundar os assuntos abordados no texto de hoje da minha coluna.

Tudo começou com posts aqui mesmo neste blog. Mais detalhes sobre minha descoberta dos podcasts de Sean Carroll e de Vincente Racaniello neste post (incluindo link para o vídeo no iBiology sobre o trabalho do One Health Institute). E uma tradução de trecho maior da resposta de David Baltimore para Sean Carroll neste outro post missionário.

No excelente canal do ClickCiência, iniciativa da UFSCar, temos a gravação desta live com conversa interessantíssima entre Luiz Gustavo Bentim Góes, Renato Santana de Aguiar e Caio Cesar de Melo Freire, com mediação de Mariana Pezzo. E aqui os slides de uma palestra de Luiz Gustavo Bentim Góes com informações abundantes e valiosas sobre origens zoonóticas de pandemias.

Sobre os vírus Xapuri e Aporé, ler esta matéria no portal da Fiocruz.

A estimulante dissertação de mestrado de Shirlei Cristina Massapust pode ser baixada neste link. Que bom que teve orientador e espaço acadêmico que deram total liberdade para sua pesquisa e seu pensamento.

PS: Esta novidade importante do MIT tem tudo a ver com o tema de minha primeira coluna no caderno Ilustríssima. Que bom ver o Igor na vanguarda.

complementos Ilustríssima 3

22/11/2020

Links para quem se interessou pelo texto publicado na minha coluna hoje:

O site do ModCovid19.

Mais detalhes sobre o experimento da feira de Maragogi neste artigo da Piauí.

A palestra do Tiago Pereira da Silva no 32º Colóquio Brasileiro de Matemática, realizado em 2019 no IMPA.

O projeto Tiago Pereira da Silva sobre redes complexas financiado pelo Instituto Serrapilheira.

Um artigo sobre sincronização do caos!

complementos Ilustríssima 2

25/10/2020

Tinha muito mais coisa para falar no texto publicado hoje. Exemplos:

FRANCY BANIWA

Outra citação da dissertação de mestrado: “Na minha língua há explicações, mas não sei como colocar isso em português, diversas vezes fiquei sem palavras em português.” Francy me disse que pensa primeiro em nhengatu, a língua “geral” que um dia foi a língua principal do Brasil. Mesmo em nosso telefonema, ela pensava suas respostas em nhengatu e depois traduzia falando em português. Parte de sua vida entre cinco línguas, característica comum de quem nasce em São Gabriel da Cachoeira. Muitos dos povos indígenas do município mantêm a tradição de casamentos exogâmicos. Geralmente, o pai e a mãe falam línguas diferentes dentro de casa. As crianças são poliglotas desde o berço. Precisam também se virar para aprender português, nhengatu (que permanece muito vivo na região – nunca vou me esquecer de, durante festa junina local, ter acompanhado um casamento caipira celebrado em nhengatu – mashup cultural brasileiro em sua mais desabusada radicalidade), espanhol (pois vivem perto da fronteira da Colômbia e da Venezuela, e entre cerca de 15 mil baniwas, só 4 mil são brasileira(o)s), além das línguas de outros povos com os quais convivem todos os dias. Muitas vezes são troncos linguísticos totalmente distintos, tão distantes uns dos outros quanto o português e o chinês.

Mesmo em pequenos povoados a realidade cosmopolita é dominante. Francy Baniwa foi criada em Assunção, no rio Içana, onde convivem nove povos diferentes. Lá sempre estudou em escolas indígenas, com professores indígenas. Tem enorme orgulho dessa educação. Só conheceu outro tipo de sala de aula quando foi para Manaus e fez sua graduação em Ciências Sociais. Depois veio para o Rio fazer o mestrado no Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social do Museu Nacional, UFRJ (onde também fiz meus mestrado e doutorado). Reafirma que nunca tinha ouvido falar no Museu Nacional antes.

Quem pela primeira vez me mandou prestar atenção no trabalho de Francy Baniwa foi minha amiga Aparecida Vilaça, professora do Museu. Meu enorme agradecimento.

JOÃO PAULO TUKANO

O histórico escolar de João Paulo Tukano é diferente. Foi internado criança no colégio dos salesianos, que ficava a 1 dia de canoa de remo do lugar onde morava (ver sua passagem recente pelo prédio desse colégio no curta “Kumuã”, produção da agência Amazônia Real, uma das experências mais valentes do jornalismo independente brasileiro atual). Depois foi para uma escola técnica de mineração em Manaus e chegou a ficar um tempo como seminarista. Seu caminho yo-yo entre o mundo dos brancos e os mundos indígenas foi mais conturbado, cheio de “desencontros marcantes” e “crises intelectuais”, desencadeadas pelo confronto constante entre modos diferentes de produção de conhecimento e visões de mundo.

O encontro com a antropologia não foi apaziguador. Há sempre uma relação de saudável desconfiança curiosa em todas suas atividades acadêmicas, mesmo quando envolve ser guia de Roy Wagner em cerimônia indígena ribeirinha ou a troca de emails em tukano com Stephen Hugh-Jones. Há também um entusiasmo sempre ousado e combatente no que faz com o que aprende: como na mistura de kumuã tuyukas, dessanas e tukanos com remédios tradicionais do povo apurinã no Bahserikowi. Ou na aproximação das culinárias rionegrinas e saterê-maué no Biatuwi (a inauguração foi adiada, novas datas no Instagram do restaurante), com quinhapira até por delivery.

Foi Igor Miranda, com a ajuda do pessoal do Instituto Mancala, que me passou o contato de João Paulo Tukano. Muitíssimo obrigado.

POVOS INDÍGENAS E UNIVERSIDADES BRASILEIRAS

Francy Baniwa e João Paulo Tukano são apenas dois exemplos da presença indígena nas universidades brasileiras, que é uma das mais importantes novidades de nossa educação neste século. Não tenho dados atuais, mas sei que esse número quase decuplicou de 2004 a 2016 (para parte dessa história recente ver esta publicação sobre o projeto Trilhas de Conhecimento; ver também esta tese de Talita Lazarin Dal Bó). Oportunidade: o Brasil poderia se tornar vanguarda de nova pedagogia e produção científica, com a colaboração dos quase 200 povos que existem por aqui. E também vanguarda de novas práticas de produção de conhecimentos que podem acontecer também fora dos campi, em vários arranjos.

Os caminhos e possibilidades das pesquisas colaborativas estão lindamente explicados neste site sobre os ciclos anuais do rio Tiquié. Temos muito a aprender com as observações indígenas. Deixo aqui novamente o link para este vídeo que inclui mapa mundi com localização das áreas onde há mais diversidade de espécies de morcego e possivelmente de novos coronavírus. A Amazônia parece o epicentro global. Indígenas podem ser nosso(a)s professora(e)s nessas investigações urgentes. Muitos povos têm suas classificações complexas de morcegos, estudando seus hábitos há séculos.

Não, não estou sugerindo uma estratégia utilitarista, que salvaria povos e conhecimentos indígenas pois eles podem nos salvar. Não é escambo 2.0, agora “bonzinho”. É preciso criar toda uma outra relação não mercantilista de aprendizado e invenção.

ANTROPOLOGIA INDÍGENA 

Para uma análise inspirada de mudanças/problemas que esse processo já provoca recomendo o artigo “Indígenas antropólogos e o espetáculo da alteridade”, de Felipe Sotto Maior Cruz, antropólogo tuxá, que inclui sofisticadas observações etnográficas também sobre o funcionamento de nossos departamentos de antropologia (outra leitura importante: “Contradisciplina: indígenas na pós-graduação e os futuros da antropologia”, de Marcela Stockler Coelho de Souza, com a defesa – peço desculpa pela minha interpretação contradisciplinária bem irresponsável – da ideia de que inclusão só faz sentido se provocar explosão). Apenas o acesso (o número de estudantes e teses, entre outros dados) não garante diversidade e pluralidade. Precisamos de “abertura epistêmica”, muito estranhamento e muito mais, para combater o “movimento inercial” do habitus acadêmico. Precisamos de muita sagacidade para evitar as armadilhas de “práticas violentas disfarçadas de benevolência”. É preciso ficar atento e forte para toda essa experiência educativa não terminar em “projeto de amansamento intelectual e cognitivo”, entre o virar disciplinado(a) e o virar índio(a) romântica(o), para ganhar vários tipos de créditos e credibilidade. É a academia que precisa se tornar mais indígena. Felipe Sotto Maior Cruz descreve situação comum em mesas de debate nas quais branco(a)s monopolizam conclusões e terminam o evento com fatídico “agora os indígenas vão fazer uma dança”. Nada contra a movimentação corporal: mas os(as) indígenas podem nos ensinar a botar pra quebrar também na dança dos conceitos. Corpos explosivos com conceitos explosivos.

Minha utopia desesperada entra no ritmo antimessiânico das utopias em marcha de Oswald de Andrade: “Será preciso que uma sociologia nova e uma nova filosofia, oriundas possivelmente dos ‘Canibais’ de Montaigne, venham varrer a confusão de que se utilizam, para não perecer, os atrasados e os aventureiros fantasmas do passado.”

Nada é confuso aqui. Tudo é claro demais.


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