redes sociais

Gostei da expressão: recovering utopians. Tenho me sentido também em processo de convalescença dessa doença de ter acreditado em muitas utopias. Apostei em muita coisa coisa que deu errado. Acreditei que o mundo estava melhorando. Militei, por exemplo, pela popularização da internet, como instrumento de democratização e justiça social (mesmo me esforçando para manter o espírito crítico ligado). Hoje, olho com horror, tristeza e decepção para a transformação das redes sociais em ambientes de poluição máxima. As promessas de liberdades se transformaram nesse lixo de condomínios fechados controlados por três ou quatro megacorporações? E no paraíso das fake news?

Porém, há algo estranho no reconhecimento de que essa minha reclamação tenha se transformado em lugar comum. Hoje, todo mundo fala mal das redes sociais, como se elas fossem a origem de todo o mal. Tem gente se aproveitando disso para reafirmar, sem originalidade nenhuma, que era melhor antes. Não era. Muito dessa conversa é produto do ressentimento de quem perdeu o poder com a nova caótica situação. E quer de volta o monopólio da fala centralizada. Claro, não estamos bem. Estamos péssimos. Mas não há volta. É preciso fugir para frente.

Volto a citar Paul Virilio: “eu não acredito que possamos recusar a tecnologia, por assim dizer, voltar ao Ano Um. Não podemos parar tudo para nos darmos tempo para pensar. Acredito que é no interior da própria investigação da tecnologia que encontraremos, não uma solução, mas a possibilidade de uma solução. […] A frase de Hölderlin – ‘Mas onde o perigo cresce, cresce também aquilo que salva’ – é muito importante para mim.”

Citação que é mais uma frágil tentativa de consolo do que uma profissão de fé.

Outra citação, talvez mais pragmática: final do texto da Wendy Brown na Art Forum de fim de 2016, escrito antes da vitória do Trump: “We have to be very imaginative and undogmatic – not simply drawing on current trends, on past left thinking or hoped for solutions from markets and technology. We have to be absolutely inventive, creative, open, pluralistic, and humble. And we have to be totally committed to nonstupidity.”

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