aeons, erebons e outras coisas mais

Outro podcast preferido pelos habitantes da minha bolha: Into the impossible, do Centro Arthur C. Clarke para a Imaginação Humana, localizado na Universidade da California em San Diego. Mas não estava conseguindo entender nada do episódio mais recente, com Roger Penrose falando sobre “dark matter”. Não era culpa do meu inglês ruim, nem de meus pobres conhecimentos de física e cosmologia. Nem do fato de geralmente escutar podcasts enquanto corro. Essa palestra precisa ser vista. Ainda bem que há seu registro no YouTube. Não que tenha passado a entender tudo, mas pelo menos a experiência fica bem mais divertida.

Não conhecia a tecnologia que Penrose usa para ilustrar suas palestras. Agora sei que é sua marca registrada (e sempre fico deslumbrado com a internet: quantos vídeos de outras de suas palestras para ver no futuro!): transparências manipuladas sobre uma mesa e projetadas no telão, tudo de forma charmosamente atabalhoada (não sei o quanto a confusão é ensaiada). Em um momento, ele diz não gostar do termo “dark energy”: não seria bem uma energia, e na verdade seria transparente. Então seja lá o que isso for, é uma “força” que embaralha suas transparências, gerando sempre um suspense animado: será que Penrose vai mesmo encontrar a próxima?

Bem, poderia ficar “aeons” aqui viajando na sua teoria dos “aeons” do universo, e como eles podem se comunicar uns com os outros através de “novas partículas” batizadas de erebons… Minha imaginação ficou bem agitada com descrições de colisões de buracos negros e outros eventos que acontecerão neste e nos próximos universos, muitos “googol” (não Google) anos para frente ou para trás. Mas prefiro mudar de assunto… E indicar outro episódio desse podcast, o que registra a conversa entre George R. R. Martin e Kim Stanley Robinson (mais sobre KSR aqui). Tem a ver com aspecto desse assunto “bolhas” que dominou este blogue recentemente. Há uma surpresa na fala dos dois de ver a ficção científica ocupando o mainstream da cultura pop contemporânea. Poucas décadas atrás, era uma bolha marginalizada, considerada sem importância.

Então volto a dizer: ninguém sabe em que bolha a inovação cultural mais importante está acontecendo. Fiquei totalmente espantado ao descobrir que, por exemplo, a alt-right “nasceu” numa convenção de fãs de animes… Claro que isso não quer dizer que fãs de animes sejam também fãs da direita, ou que convenções de fãs de animes sejam terrenos férteis para nascimento de grupos de direita. Há de tudo em cada bolha (eu vi o anúncio de um novo carnaval em encontro de cosplayers). Por isso é bom manter as bolhas bem arejadas. E incentivar muitas trocas surpreendentes de informação entre elas.

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