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Bruce Sterling anunciou o final do seu blog depois de 17 anos de publicação constante: “vítima colateral” da pandemia, que também ataca empresas, além de humanos. O post de despedida é longa reflexão interessante também sobre as mudanças da internet como um todo, pré-2020.

Porém, o que me chamou mais a atenção foi constatar que meu uso da ferramenta blogueira é bem atípico (e o fato de voltar a postar recentemente, para – falando de coisas boas, fazendo exercícios contra o niilismo – tentar não ficar maluco, lança este meu território no WordPress para trajeto mais fora da curva ainda…). Bruce Sterling usava seu blog para rascunhos, anotações, escritos que não teriam espaço na imprensa tradicional. Em mão contrária, eu comecei esta aventura aqui republicando textos que tinham aparecido primeiro nas páginas de papel de jornal. Tudo para colocar links nos textos, que poderiam ser clicados por leitores curiosa(o)s para saber mais sobre cada assunto. Muitas vezes eu escrevia uma coluna só para divulgar um link que considerava importante para conhecimento geral. Por isso tenho até preguiça, ou não me lembro, de programar os links para serem abertos em outras abas do browser. Não me incomoda que visitantes não permaneçam no meu espaço, gosto mesmo que se percam em outros ciberlugares, sem volta – meu link cumpriu sua missão. Depois de cinco anos de coluna no jornal pedi demissão, mas continuei a publicar links “necessários” por aqui, de caju em caju.

O que mostra como sou antiquado, ser do passado: blog, link. Logo constatei, pois estudo as estatísticas das visitas, que pouquíssima gente clica em qualquer link. Pode ser problema meu, que não consigo seduzir quase ninguém para conhecer o que me encanta ou interessa. Mas desconfio que seja também um problema geral da arquitetura dos novos apps, baseados em feeds que cultivam passividades, que não incentivam fugas para fora do que chega nos perfis, que quase proíbem errâncias, impedem surpresas desconcertantes e passeios ao léu hipertextuais. Mas não me importo, finjo que nem é comigo, continuo linkando, linkando, linkando. Mas lanço pergunta escolástica: link sem clique continua sendo link? Os errinhos de Aristóteles

E para não perder o costume, seguindo o impulso, dois links bem interessantes: as reflexões sobre a pandemia da Long Now Foundation e esta conversa entre Brian Eno e Hans-Ulrich Obrist (com as dicas de Eno para dois livros sobre construção de valor econômico – para além do mercado).

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