bolhão

Visita breve à bolha dos games. Bolhão enorme, bem maior que a bolha metálica de dois posts atrás. A primeira publicação neste blogue, e na minha coluna de cinco anos no Segundo Caderno d’O Globo, foi sobre Will Wright. Tentava abrir caminho para que o jornalismo cultural prestasse mais atenção no trabalhos dos criadores desse novo tipo de arte, com cada vez mais importância estética, comportamental e comercial. Teve pouco efeito. Acho que conto nos dedos os artigos publicados desde então sobre a arte do games nos jornais brasileiros. Qualquer festival de cinema continua a ser coberto com muito mais espaço do que a E3. O que só aumenta o paradoxo: um fenômeno que envolve milhões de pessoas pode ser invisível para o “resto do mundo”, vivendo “isolado” em mundo paralelo. Como já disse: as coisas hoje funcionam assim… Então quem quer se manter informado sobre as novidades dos jogos eletrônicos tem que sair da mídia tradicional e partir para recantos especializados.

Foi o que fiz recentemente. Trago aqui apenas a notícia que mais “capturou minha atenção” (tenho repetido essa expressão para sublinhar que, nesta era de superabundância de bolhas, vivemos numa economia onde o bem mais precioso é a nossa atenção): o game Wattam, depois de anos de espera, vai ser finalmente lançado em breve. Seu criador, Keita Takahashi, é o gênio da vez. Com formação de escultor, trouxe um olhar totalmente original para o mundo dos jogos e da visualidade contemporânea em geral, como comprovam Katamari Damacy e Noby Noby Boy, seus lançamentos anteriores. Não produz games distópicos, violentos, cínicos, escuros. Seus mundos são coloridos e querem produzir o máximo de alegria a cada jogada. Não foi por acaso que recebeu convite para projetar um parque de diversões infantil para cidade britância (Nottingham, terra da National Videogame Foudation), infelizmente não concluído por razões orçamentárias pós crise 2008. Bom lugar para acompanhar os novos caminhos do pensamento alegre e bem concreto de Keita Takahashi, com fotos de coisas que só ele enxerga, é seu (em parceria com sua mulher Asuka Sakai) delicioso site uvula.

Wattam só vai ser lançado por causa da amizade (outro conceito central em suas obras) de Keita Takahashi com Robin Hunicke, sócia (com Martin Middleton) da Funomena, desenvolvedora de games. Trio incrível, juntando o que há de mais especial na história recente dos jogos eletrônicos experimentais. Martin trabalhou na inteligência artificial e programação por trás de flOw e Journey. Robin, que começou sua carreira trabalhando com Will Wright, foi produtora de Journey e é uma das principais ativistas na batalha para haver mais diversidade nas empresas de criação de games. Tudo gente boa, responsável pelo melhor futuro da sua bolha que um dia engolirá todas as outras (estilo The Blob), se é que já não engoliu.

 

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