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mais e melhores nanolistas

27/12/2014

texto publicado na minha coluna do Segundo Caderno do Globo em 26/12/2014

Sou fã de listas de melhores do ano. Como já escrevi várias vezes, hoje a abundância é maior problema que a escassez para a produção cultural planetária. Muita coisa boa, muitos canais para distribuição de novidades, mas pouco tempo para escutar/ler/ver tudo. Por isso precisamos de filtros confiáveis. As melhores listas de melhores do ano são produzidas por pessoas que acompanham de perto a movimentação de determinado segmento artístico, vasculhando todos os cantos da rede à procura do mais brilhante, e assim nos poupam o trabalho de fazer o mesmo. Só posso agradecer sua atuação generosa, transformando todos meus dezembros em época de descobertas.

Tenho minha lista das melhores listas de melhores do ano. Exemplo: o número de dezembro da Art Forum, a revista mais influente da arte contemporânea. Como eu poderia viver sem a lista de melhores filmes segundo John Waters, ou a lista de melhores exposições  (etc. – este ano mistura Lygia Clark com as danças de Sharon Eyal e Anna Teresa de Keersmaeker) segundo Daniel Birnbaum? A seção de música é feita por pessoas diferentes a cada ano. Agora temos as listas de Kathleen Hanna, Shintaro Sakamoto, Matthew Higgs, Wu Tsang e George Lewis. Não fique envergonhado se não conhece esses nomes. Os discos/performances que estão em suas listas são ainda mais esotéricos. E, por isso, necessários. Assim conheci Mamman Sani (seu “Taaritt” é saudado como “melhor disco já feito”) e “Circuitos úmidos: a era dourada dos sintetizadores na Ásia do Leste”.

Também não consigo passar sem a edição especial da “MIT Technology Review” que reúne suas listas bem curiosas: as “50 companhias mais inteligentes”; as “10 tecnologias revolucionárias”; e – para mim a mais esperada – os 35 “inovadores com menos de 35 anos”, que sempre me revela gente novinha com ideias incriveis. Como Tak-Sing Wong, que se inspira em plantas carnívoras para a criação de novos materiais.

Meu amor por listas se estende também para aquelas que não precisam ser publicadas necessariamente no final do ano. Como a “NewUrope100”, recente criação da revista “Visegrad/Insight” (Visegrad é a aliança de quatro países da Europa do Leste: Polônia, República Tcheca, Hungria e Eslováquia), apresentando 100 pessoas “desafiadoras” de países com os quais temos pouco contato cultural direto. Foi ali que ouvi falar do arquiteto urbanista nipo-tcheco Osamu Okamura  ou li entrevista ciberinspiradora com Toomas Hendrik Ilves, presidente (sempre com gravata borboleta) da Estônia.

E claro: gosto de ver o resultado de várias premiações. Porém, desenvolvi meu próprio “modo de usar” para lidar com elas. Prefiro as que têm várias categorias. Recomendo: preste atenção naquelas que recebem menos destaque. É ali que as melhores surpresas podem acontecer. Funciona assim: no Jabuti de 2014, encontrei a dica para uma das minhas mais interessantes leituras do ano entre os dez finalistas da categoria Ciências Exatas, Tecnologia e Informática. Trata-se de “Ciência do futuro e futuro da ciência – redes e políticas de nanociência e nanotecnologia no Brasil”, de Jorge Luiz dos Santos Junior, um lançamento da editora da UERJ e da FAPERJ com o qual eu poderia nunca ter me deparado, até porque foi difícil encontrá-lo nas livrarias (acabei comprando meu exemplar na Leonardo da Vinci).

Trata-se de estudo pioneiro de um cientista social/economista sobre as políticas brasileiras de ciências exatas de ponta no Brasil. Os termos nanotecnologia e nanociências (as que lidam com dimensões para lá de minúsculas) só aparecem em documentos oficiais brasileiros, mesmo em órgãos como o CNPq e a CAPES, no início deste século, mas no decorrer dos anos seguintes foram lançados vários programas para incentivar a formação de pesquisas em universidades e empresas nacionais. Qual o resultado?

O pano de fundo para a análise de Jorge Luis dos Santos Junior é a invenção de uma política industrial brasileira, principalmente dos anos 1950 em diante. Antes os governos, quando tratavam de ciência, imaginavam um país apenas “celeiro do mundo”. Mas tabelas apresentadas no livro denunciam uma situação ainda precária. Importamos mais alta tecnologia e exportamos (crescimento cada vez mais acelerado desde 2007) mais produtos não industriais. Em 2010 a China fez 742 pedidos de patentes, o Brasil 59.

Fico sempre cheio de dedos quando trago esses assuntos para o Segundo Caderno. Mas como Jorge Luiz dos Santos Junior mostra, as implicações culturais e sociais da nanotecnologia são tremendas, e geralmente deixamos que decisões importantes sejam tomadas por especialistas e pequenos grupos em nome de todos nós. Ficam aqui meus votos para que mudemos de atitude em 2015. Não há escolha. O mundo é cada vez mais complexo. É preciso atenção e força com relação a tudo.

 

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aqui e agora

20/12/2014

texto publicado na minha coluna do Segundo Caderno do Globo em 19/12/2014

2014 está terminando. Não terei tempo para cumprir outra promessa, a de homenagear vários dos grandes artistas modernos que comemorariam seu centésimo aniversário este ano. Consegui apenas escrever sobre Lina Bo Bardi, Marguerite Duras e Dorival Caymmi. Citei Sun Ra na semana passada. Pouco. Falta muita gente mais, importante demais para a minha vida e para os tempos modernos. Preciso fazer uma escolha. Não posso deixar de escrever sobre Octavio Paz. Mais especificamente sobre seu livro “Os filhos do barro”, reeditado no Brasil recentemente, e que deve ser relido por todo mundo que busca avanços para a produção cultural contemporânea.

Avanços. Estou elogiando a linearidade do tempo, em progresso ou desenvolvimento contínuo na direção do “melhor”? Nada mais distante da minha intenção. Quando li “Os filhos do barro” – que teve sua primeira edição mexicana em 1974 e a brasileira em 1980 – perdi grande parte da minha ingenuidade vanguardista juvenil. Octavio Paz nos surpreende afirmando que “o moderno é uma tradição”. Uma tradição “de ruptura”, de “crítica do passado imediato”, de “negação” – mas nem por isso menos tradicional. Claro: “a sociedade que inventou a expressão a tradição moderna é uma sociedade singular”, diferente de todas as outras que existiram antes ou que continuam a existir acreditando que o melhor aconteceu no passado. Nós, modernos, mesmo os mais apocalípticos, temos esperança num futuro que rompa com erros do passado e do presente. Mas no momento em que a crítica vira uma exigência tradicional ficamos desconfiados: “Aquele que sabe ser pertencente a uma tradição implicitamente já se sabe diferente dela, e esse saber leva-o, tarde ou cedo, a interrogá-la e, às vezes, a negá-la.”

Armadilha? Círculo vicioso? Se somos “diferentes” dos modernos, qual o nosso novo nome, ou como escapar da modernidade? Na época do lançamento de “Os filhos do barro” já se falava em pós-modernidade, mas aquela saída hoje se revela tão datada como sofá pé-de-palito de design Memphis ou capa de vinil new wave. E depois de nossa entrada no ciberespaço, podemos compreender – mixando terror e êxtase – uma profecia de Octavio Paz cujas sutilezas podem ter confundido os leitores dos anos 1970: “Passam-se mais coisas e todas elas passam quase ao mesmo tempo, não uma atrás da outra, mas simultaneamente. Aceleração é fusão: todos os tempos e todos os espaços confluem em um aqui e agora.”

O melhor lugar do mundo? Muita coisa, demais da conta. Passei 2014 lendo – bem lentamente – o tijolo “Miscelánea III” das “Obras completas” de Octávio Paz. Suas mais de 750 páginas reúnem as principais entrevistas concedidas por este grande poeta/pensador/ensaísta mexicano e cosmopolita (existe alguém mais cosmopolita?), de 1953 a 1996. Impossível não se espantar com a abrangência enciclopédica de seus conhecimentos, cada resposta é uma aula sobre assunto diferente, da poesia de Benjamin Péret à filosofia de Giorgio Agamben, passando pelo “I Ching” e pelo Dom Quixote. Apenas uma citação irresistível, de entrevista de 1989, em resposta que comenta as diferenças entre a palavra falada e a palavra escrita: “A palavra falada é aqui e agora, uma conjunção de vozes em um lugar: uma conversação. […] a palavra escrita é pública enquanto que a conversação é privada. Uma das calamidades modernas é haver feito pública a vida privada.”

De volta ao ciberaqui e ciberagora, com cada vez maior confluência de tudo, também do privado com o público. E pulo de assunto, dividindo 100 anos pela metade. Outro dia recebi email do Instituto Moreira Salles que me fez descobrir que a publicação de “A paixão segundo G.H.” completou cinco décadas (na preciosa edição crítica coordenada por Benedito Nunes descubro também que, como quase todos os outros livros de Clarice Lispector, não há originais desta obra). Clarice Lispector inventou outro tempo, ou uma estratégia de relação com o tempo que talvez nos dê pistas para escapar da tradição de ruptura moderna, que deposita todas suas esperanças em vanguardas que indicam o caminho do melhor futuro para as multidões.

Os trechos que sublinhei na minha primeira leitura de “A paixão segundo G. H.” continuam a ser aqueles que mais guiam minha vida até hoje. Fiquei “muito feliz” porque finalmente fui desiludido e nunca mais confiei em sistemas ou projetos que tentavam me vender esperança: “quero encontrar a redenção no hoje, no já, na realidade que está sendo, e não na promessa, quero encontrar a alegria neste instante”.

Mais claro ainda: “Pois prescindir da esperança significa que eu tenho que passar a viver, e não apenas a me prometer a vida. E este é o maior susto que eu posso ter. Antes eu esperava. Mas o Deus é hoje: seu reino já começou.”

ciberdesbunde – o início do guia

13/12/2014

Texto publicado na minha coluna do Segundo Caderno do Globo em 12/12/2014

 

1989. Em sebo da Praça Tiradentes, encontrei revista com Sun Ra na capa. Lembro essa descoberta agora para comemorar o centenário de nascimento deste gênio da música vindo – acredito piamente – do espaço sideral. Um dos meus momentos de mais intensa alegria foi provocado por Sun Ra cantando por horas, em palco de Nova York e com acompanhamento pós-free-jazz, sobre passeios pelos anéis de Saturno. Só a descrição desse show já seria material suficiente para a coluna de hoje. Porém, preciso cumprir promessa da semana passada: iniciar guia para as origens do ciberdesbunde. Então, a lembrança da revista garimpada naquele sebo tem outra razão para aparecer por aqui. Seu título espantoso – note bem: isso aconteceu em 1989 – era “Reality hackers”. Deve ter pousado na Praça Tiradentes a bordo de um disco voador psicodélico.

Depois de folhear aquelas páginas, nunca mais fui o mesmo. O fato de mudar de maneira de ver o mundo toda semana (como esta coluna comprova) não banaliza o impacto que a “Reality hackers” teve em minha vida. O editorial ainda me deixa zonzo. Tentando traduzir o idioma californiano: “‘Reality hackers’ conspira ativamente com holográficos, vídeo-artistas, músicos, designers de software, cartunistas, místicos, Mestres Ocultos, Amantes Ocultas e musas concubinas. Nós formamos uma Casa de Mídia para bombardear a desprevenida América com canal banda larga de parasitas mentais e memes estridentes. A Casa de Mídia Reality Hackers é um vórtice de plágio e tradução simultânea, onde agentes da Fronteira em eterna expansão se encontram para crospolinizar, ascender, e transferir coisas de uma mídia para outra – uma estação de codificação e descriptografia para predação polisensorial.” Nas páginas seguintes a coisa fica mais punk, com artigos de Hakim Bey, Timothy Leary, Terence McKeena, entrevista com Brian Eno, reflexões sobre ciberterrorismo, heavy metal, paganismo high-tech e MDMA.

Tudo editado pelo casal R. U. Sirius e Queen Mu (seu crédito era “domineditrix”), que depois lançou a “Mondo 2000”, revista obrigatória para a turma que transformou a internet em cultura de massas (para além da massificação da cultura). O número de assinantes era pequeno, mas influente. Tanto que, em fevereiro de 1993, o pessoal alternativo da Mondo fez o design da capa da revista – mais mainstream impossível – “Time” sobre o movimento cyberpunk. R. U. Sirius e Queen Mu, junto com Rudy Rucker (outro ídolo desta coluna), tinham acabado de lançar um “Guia do usuário para a nova fronteira”, cheio de verbetes pitorescos como “sexo virtual”, “música do DNA”, “nomadismo” e “hipertexto”. Parece de época, e é, mas só hoje algumas promessas daquele momento se transformaram em produtos no mercado. Como a realidade virtual, vide o Oculus Rift.

A “Reality hackers” começou como fanzine chamado “High frontiers”, dedicado principalmente ao debate sobre alterações da consciência por meio de substâncias psicoativas. O encontro de R. U. Sirius e Queen Mu com o pessoal – Stewart Brand e Kevin Kelly, entre outros – que produzia o Whole Earth Catalog foi decisivo para o reconhecimento do papel cada vez mais central da tecnologia para qualquer avanço contracultural. O catálogo, que tinha como subtítulo “Acesso a ferramentas e ideias”, facilitava a venda de produtos e publicações que tornavam possível uma vida “faça você mesmo”, tanto em termos cibernéticos quanto ecológicos. Tenho a edição de 1986, que na página 351, sobre “redes de computadores”, traz a seguinte profecia: “Um dia todo mundo vai se comunicar desta maneira.” E acrescenta: “Os editores da ‘Whole Earth” ficaram tão enamorados das redes de computadores que fundamos nossa própria – a WELL (Whole Earth ‘Lectronic Link). Como em todas essas redes, você paga por minuto – no nosso caso US$3/hora mais $8/mês mais (se você não é local) $4 para ligação interurbana.” O que hoje parece caro naquela época era o mais em conta que havia. E quem pagou sabe que viveu no WELL uma experiência mítica. Foi o Woodstock do ciberdesbunde.

Em 1994, a “Time” publicou capa sobre “o estranho novo mundo da internet”. Havia até box com respostas para as perguntas: “o que é a internet?” ou “como me conecto?” Início da matéria: “A maior rede de computadores do mundo, antes um playground de cientistas, hackers e gearheads, está sendo tomada por advogados, mercadores e milhões de novos usuários. Há espaço para todos?” Vinte anos depois a questão permanece aberta. Ainda bem que o Internet Archive desenvolve o “Mondo 2000 history project” que mostra para quem chegou agora na rede o rumo que nossa vida virtual poderia ter tomado, ou ainda pode tomar.

 

ciberdesbunde

06/12/2014

texto publicado na minha coluna do Segundo Caderno do Globo em 05/12/2014

O livro “Os inovadores” – escrito por Walter Isaacson, lançado recentemente no Brasil e já nas primeiras listas de melhores do ano mundo afora – conta a história das pessoas, começando por Ada Lovelace, que inventaram o mundo digital, no qual estamos cada vez mais submersos. Nossa situação atual parece vingança póstuma de manifesto surrealista: os chips se libertaram dos computadores e se multiplicam desarvoradamente juntos e misturados a qualquer coisa. O analógico não tem alternativa: ou se converte em bits ou desaparece. As coisas se comunicam entre si, como no país das maravilhas que, segundo relato de Alice, pode ser também aterrorizante.

Boa leitura para complementar “Os inovadores” é “What the dormouse said”, de John Markoff, salvo engano nunca lançado em português. O subtítulo explica a maluquice do título: “como a contracultura dos anos 60 moldou a indústria do computador pessoal”. Explicando melhor ainda, para quem não tem coleção de vinis hippies: “what the dormouse said” é citação de verso de “White rabbit”, hino psicodélico lançado pela banda Jefferson Airplane no álbum “Surrealistic pillow” (repare bem no surrealismo aqui outra vez). Obviamente John Markoff fez metacitação de Lewis Carroll, que – nada por acaso – era também matemático. Resumindo o que vem a seguir: escrevo esta coluna para provar, matematicamente (para isso não preciso consultar a biblioteca do Impa), que Alice está bem viva (ou deveria estar) no fundamento digital de nossa vida pós-PC, com a consciência plugada na internet de todas as coisas.

Na análise desse desbunde do real (vivemos era em que o real mesmo, no seu núcleo mais duro, se desbunda, constatação que não insinua juízo de valor) talvez falte um terceiro livro, ainda não escrito. Seria uma história de várias revistas que, com graus bem variados de sucesso comercial, difundiram para o público leigo reflexões sobre o impacto das transformações tecnológicas na cultura, na política, na sociedade e em todo o resto. O mais interessante: seu efeito não foi só formar a mente dos consumidores dos novos produtos, mas também direcionar as ideias dos inovadores, e mesmo de seus CEOs, para seguir Alice em suas aventuras.

É possível identificar momentos marcantes dessa história paralela lendo as introduções de cada capítulo de “Borg like me”, livro de Gareth Branwyn, que tem outro subtítulo que tenta explicar (ou não) seu conteúdo: “& outros contos de arte, eros e sistemas embedados” (procurei no Aurélio agora e não encontrei o verbo “embedar”, mas acho que já se tornou atitude/termo corriqueiro por aqui). Você pode não ter ouvido o nome do autor, mas certamente usa ou é influenciado por algumas das ideias divulgadas por seu trabalho na edição de revistas como “Mondo 2000”, “Wired”, “Make” ou no site/blog “bOING bOING”, ainda um dos mais influentes no circuito tecnocultural.

O livro, como coisa ou produto, já é a concretização de vários princípios centrais na ideologia desse circuito, que tem hoje sua vanguarda no movimento maker (no Brasil há a tentativa, que aprovo, de batizá-lo de movimento fazedor – tenho carinho especial pela conjugação do verbo fazer). Seu financiamento foi colaborativo (vale conferir a documentação do processo de “crowdfunding”, muito bem feito, mas muito trabalhoso, cheio de lições para quem pensar em se aventurar por opção de produção semelhante). Uma nova editora independente, a Sparks of Fire, foi criada para o lançamento, mostrando como já vivemos em outra realidade (desbundada?) editorial.

Estou insistindo no repetição do uso da palavra desbunde, contra todos os sinais – espionagem e ódio pesados, por exemplo – que indicam o predomínio do lado negro da força em nossa vida cibernética contemporânea. Em entrevista para o podcast “Expanding mind”, Gareth Branwyn usou expressão que me deu calafrios por fazer tanto sentido: “matrix faça-você-mesmo”. É uma provocação: usamos a estratégia punk, ou cyberpunk, do “do-it-yourself” para construir – coletivamente, descentralizadamente – nossa própria prisão-rede-social? Tantas oportunidades tecnolibertárias (muitas delas visíveis pela primeira vez nas publicações editadas por Gareth Branwyn) perdidas? Em que momento perdemos Alice de vista?

Por isso a importância de reler os artigos “de época” reunidos em “Borg like me”, não para cultivar a nostalgia por aquela zona autônoma temporária criada por Gareth Branwyn e seus mentores/parceiros malucos-beleza em algum momento mágico da virada das décadas 1980/1990. A leitura apenas recarrega nossas baterias para enfrentar os problemas de hoje. Na próxima coluna vou tentar escrever um guia para essas fontes de energia ciberdesbundadas.


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